inverno

Far away

23:44

Sou tão eficiente em medir as distâncias.
Quinhentos quilômetros.
Hoje vou ficar em casa.
Ao atravessar a rua, a dor ainda não é bonita.
O fuso horário faz com que alguns vivam doze horas no passado.
Mais de mil páginas escritas para alcançar o silêncio.
Dois anos atrás eu ainda amava aquele garoto.
Faz mais de duas décadas que eu espero um milagre.

Vou me sentir triste só até que essa música se acabe.
Ele canta que foi destinado,
que essa é a última vez que eles irão se ver,
eu volto o player no início
porque não quero que eles tenham que dizer adeus.

O mundo... parece longe daqui.

com amigos

Encontre o amor da sua vida (ou algo melhor)

22:57

Texto escrito com F. V. Reis. Nossas conversas são geralmente assim, por isso talvez este texto seja uma grande piada interna. O importante é que nós dois ainda estamos rindo, mesmo não tendo mais vinte e um.

— Sabe o que nós parecemos?
— O quê?
— Duas vadias bêbadas.
Dois nerds conversavam na sacada do apartamento que dividiam.
— Como assim?
— Parece que estamos bêbados, falando sobre ex-namorados enquanto tomamos sorvete na sacada do prédio.
— Exceto pelo fato de que não temos sorvete. E não estamos bêbados.
— E não temos ex-namorados.
Os dois se alternavam escrevendo em um caderno como quem divide uma bebida.
O que dos jovens de vinte e um anos têm de relevante a dizer? Eles nutrem a ilusão de que as palavras escritas de forma apressada no caderno farão diferença na vida de alguém?
Aparentemente sim! Eles dão muita importante a um punhado de palavras.
— Os vizinhos devem nos achar patéticos. Olha bem! Ou estão chegando de um encontro ou estão saindo para mais uma conquista amorosa.
— Estão todos bêbados. Acho que, assim como nós, não estão fazendo grande coisa com a vida que têm. E não corta meu barato. Nunca fui a vadia na vida. Deixe-me ser a vadia pelo menos uma vez. — os dois riem. — Além disso, nem devem saber quem somos.
— É... acho que ninguém sabe. — os dois riem novamente.
— Isso é triste.
— Fazer o quê?! "A vida é uma meretriz que nos fode a todos".
— Ah, não. A vida tem seu lado doce.
— Ok, agridoce.
— Pensa bem: o Sr. Padaria! É sério. Um dia vão erguer estátuas dele pela cidade, e vai ser que nem na Coreia do Norte: as pessoas vão ter de venerá-las. — e, novamente, os nerds caem na gargalhada.
— Ter um crush suga minha juventude, estou dizendo. Estamos ficando velhos demais para isso.
— Mas, não está ficando mais fácil. Até meu cachorro tem uma namorada, e eu na solidão.
— Mas, esse é o ponto, certo?! A gente está tocando a nossa vida. Estamos alimentados, fizemos faxina. Os outros podem até pensar que estamos empurrando a vida com a barriga, mas nós estamos bem!
— Realmente, não faz muito sentindo ficar com qualquer um por causa da carência. Se eu já esperei vinte e um anos, posso esperar um pouco mais para encontrar o amor da minha vida.
— Ou algo melhor. — os dois nerds caem na gargalhada enquanto mais uma música questionável começa a tocar em algum lugar da vizinhança.

Ele

Mesmo que meus textos deponham contra mim

13:27

Eu sempre tenho textos guardados, não verbalizados, escondidos pela capa da insegurança.
E se eu não for boa, santa, curada, feliz, competente, responsável, bela o bastante?
E se alguém notar que eu não sou o bastante?
E se um dia meus textos deporem contra mim no tribunal humano no qual minha consciência é a advogada de defesa? Ela não me condena pelo que o outro vê. Ela tem suas próprias métricas.

Mas, se eu deixo de escrever por medo, tudo perde o sentido essencial. Porque se eu quero viver pela verdade, como posso mentir? Eu realmente não sou o bastante, mas a cada dia me coloco no meu lugar e tento ser melhor. Não melhor exteriormente, mas naquelas partes nas quais a minha advogada interior mais repara. Não mentir, não roubar, não jogar lixo no chão, não gritar. Abrir mão da minha vida confortável, conveniente, previsível para de fato fazer algum sentido. Quando olho bem de perto, não é de fato abrir mão. A vida que eu levo parece a fuga do meu propósito.

Quando me perguntarem o que eu realmente quero, para onde quero, eu não sei de fato. Mas, a cada dia a certeza de que meu papel não é aqui fica mais evidente. Minhas mãos trabalham, mas eu não colho frutos. Não posso continuar de mãos vazias.

Sim, eu sou muito dura comigo mesma. Sim, eu sei que tenho testemunhas de defesa que podem ficar ao meu lado. Mas, não é o bastante. Me resumir a apenas isso é matar as palavras, as promessas, os sonhos, as descobertas. E eu não posso virar as costas para quem me trouxe até aqui. Ele é o único que de fato faz alguma diferença no julgamento.

A sentença? Culpada, mas no banco de réu existe outro sentado no meu lugar. Só preciso achar um meio de parar de decepcioná-lo a cada momento que escolho uma vida prisioneira de mim mesma, negando que a liberdade é me entregar. 

Eu me entrego. Estou com medo e me entrego.

Ele

Ele

12:17

É triste pensar
Que fui eu que parti ele ao meio.

Eu o fiz engolir palavras
Que ele rejeitou.

Era uma viajem perfeita
Belamente planejada
Mas eu não me importei com as curvas declinadas
E caímos em cheio no precipício.

Ele podia ter escapado
Mas preferiu ficar comigo.

Para ele, pior do que me ver perder o controle
Era deixar a solidão ser a minha única companhia.
Meu escudo contra a morte.

Por isso, mesmo com uma hemorragia infindável,
Ele se colocou na minha frente
Como uma armadura viva,
Que impediu que eu também sangrasse.


blogstyle

O fantástico mundo dos kdramas

22:49


É STRONG WOMAN @ NETFLIX 
Olá, terráqueo! Mais uma vez vamos falar sobre aquele país que anda tão em alta, a famigerada @ Coreia do Sul que, com alguns anos de investimento, despontou como uma gigante na industria do entretenimento.

Já confessei meu amor ao kpop, mas hoje vou tirar um momento para falar sobre o meu vício nos kdramas, produções audiovisuais que preencheram muitas das minhas horas neste 2017. Tudo começou com uma releitura meio bizarra de 50 tons que envolvia uma veterinária e não contava com cenas picantes. O drama assistido pela Netflix, me pareceu a fanfic da fanfic e não me cativou imediatamente.

Mas, então veio minha amiga Letícia me guiar por este mundo de possibilidades ilimitadas. Finalmente me apaixonei por um drama que envolvia relacionamentos familiares, o dia a dia de jornalistas e... ROMANCE. Pinocchio foi o primeiro amor que me jogou de vez nessa vida de dormeira em um nível no qual paguei a assinatura anual do Dramafever para, assim, deixar garantido um ano de lágrimas, gritos, e muitos sorrisos proporcionados por essas histórias tão bem contadas.
Pinocchio, primeiro shipp coreano a gente não esquece <3
E sim, têm muitos dramas ruins. Às vezes paro o vídeo e fico pensado: "por que SENHOR eu estou assistindo isso?". Mas, existe cada coisa boa! Depois de Pinocchio veio W, com o mesmo ator de protagonista (meu favorito), e segui um caminho mesclando dramas clássicos e as novidades indicadas pelas amigas já iniciadas.

Posso destacar o maravilhoso Moon Lovers, que traz uma visão completamente diferente da ocidental de trama histórica, e que me fez chorar como se o mundo estivesse acabado. O divertidíssimo Weightlifting Fairy Kim Bok Joo, que me ensinou a chegar no crush e perguntar: "por acaso você gosta do Messi?". A empoderadíssima Strong Woman Do Bong Soon, que chuta bundas e é a pessoas mais fofa deste universinho. E claro, Goblin, que deu um show de roteiro, fotografia e atuações, e que estou inclusive reassistindo no momento.

2017 foi um ano de deixar preconceitos de lado e buscar novas possibilidades. Espero que minha vida continue sendo uma descoberta constante de novas histórias (e novos casais de todos os tipos, formas, cores e nacionalidades para shippar) e que você, querido leitor, possa dar uma chance para cada uma das obras citadas aqui. Eu garanto, todas passam uma mensagem e sem dúvidas é uma excelente forma de investir seu tempo livre.

blogstyle

2017, o ano do kpop

22:26

Bem ARMY.
Já comecei mentindo no título. Descobri esse mundo musical em 2016. Quando se anda em grupos de nerds variados, tem sempre aquele colega que já desbravou o mundo asiático e te incentiva a assistir animes sem final e a enlouquecer com garotos dançantes de cabelos coloridos.

Então, foi em um clipe meio estranho, meio fofo que me apaixonei pelas cores pasteis e pela estética sul coreana em geral. O mv era de um girl grup, e nele as meninas meio que acabavam com a raça do Ken (nunca me lembro o nome delas, sorry). Claro que, como parte da massa, me joguei com tudo na terra da dança sincronizada ao descobrir Blackpink e o famigerado BTS.

É legal se sentir parte de uma febre teen. As ARMYs são assustadoras, mas ao mesmo tempo me rendem muitos momentos divertidos pelo twitter. Na minha época (como me sinto velha) o que despertou o amor incondicional foi a Bella e seus vampiros brilhantes. Para os adolescentes de hoje em dia, kpop parece mais divertido.

Não achei que estava tão envolvida até sair aquela listinha de músicas mais escultadas no spotify. Veja bem:

GD utt. CL minha dona.
A única coisa que quebra a supremacia coreana na minha playlist é a amada Supercombo (e Glee, amor eterno que nunca fica de fora). Olhar esses dados é um bom tapa na cara da Ana de dois anos atrás que só escultava Simonami. Ainda amo minhas bandas semiconhecidas, mas meio que deixei de lado esse negócio de restringir o que toca nos meus fones. Kpop me deixa feliz, e é incrível um gênero musical ter esse poder.

Tá, mas não só de kpop vivi. Em tópicos:
  • Escultei muito a já citada Supercombo, amo toda a discografia, mas Rogério foi show, só que já ouvi tanto que meio que enjoei das músicas a essa altura. Mas, vale a pena escultar Monstros e Morar.
  • Paramore também veio com uma vibe bem tragicómica que combina muito com minha personalidade. Dancei e chorei muito sim ouvindo a banda que sobreviveu a passagem da adolescência (26 é a melhor música do álbum).
  • Simonami acabou já faz mais de um ano (para a minha tristeza), mas a Lay, a Lio e o Jean voltaram com Tuyo (para meu consolo). A música Meus 15 é meu hino pessoal. Sério.
  • Sempre amei hip hop for real. Mas, só depois de assistir a falecida The get down que me atentei que essa cultura tem uma história. Esse ano escultei muito o que a galera fazia nos anos oitenta, destaque para The message do Grandmaster Flash/The Furious Five. Um clássico que faz denúncias ainda relevantes.
  • E minha favorita da vida, a banda que sempre sonhei em ver ao vivo, anunciou um período sabático. Poxa Oficina, tava tão legal entre a gente! Por que você foi me deixar depois de me dar esperança de um álbum show seguindo o estilo de João? Bem triste, porém conformada e feliz por ter vinte anos de música para revisitar.
É engraçado fazer um post de blog falando sobre música a essa altura da minha vida. Mas, para resumir, eu não sou uma pessoa de fases. Oficina G3 conheci quando ainda nem sabia falar direito, e está na minha playlist até hoje. Então meio que acho que o kpop vai continuar. E não é só a mistura do popular farofa, sendo sincera, o que de fato me conquistou foi a dança de Dope e o rap do Suga (eu até desenhei ele! Não desenhei nada esse ano, mas o Suga tá aí "eternizado"). Os sul coreanos inventaram um trem que junta tudo que eu amo: dança, rap e cabelos coloridos. Obrigada!

Por hoje é isso. Talvez o meu lado blogueira ainda dê as caras esse ano, mas deixo aqui um até logo com esperanças moderadas. 

blogstyle

Era para isso ser um blog

23:53

Porque parei de postar o que desenho por aqui?

Já faz mais de um ano que não escrevo aqui como deve ser um texto de blog. Acho que eu precisava desse tempinho. Foi um ano no qual nada saiu como planejado, e a Ana blogueira de quatro anos atrás está bem no passado. Agora eu tenho um trabalho de gente grande e um sonho de infância que não parece mais próximo.

Eu nem sei se ainda existe alguém que volta aqui para ler o que escrevo. Com as crônicas e os contos, fui muito sincera com relação ao que eu sentia, mas fechei a janelinha do diálogo. Talvez no próximo ano eu tente iniciar uma nova conversa com novos leitores, mas sem promessas. Estou um pouco cansada de metas para o novo ciclo e coisas assim.

Mas, 2017 foi surpreendente. Olhando o saldo agora, acho que foi o ano no qual mais escrevi. O wattpad acabou virando meu objetivo principal, enquanto o A vida é poema sobrou como um projeto para o qual eu olhei uma ou duas vezes a cada mês. Mas, com a distância dos dias e das semanas, olhar o pouco que escrevi aqui me dá um certo orgulho. Eu sinto que tudo que escrevi esse ano tem importância. Se não para a sociedade, o mercado, ao menos para o meu coração que esteve exposto a cada palavra.

Eu acho que nunca vou ser reconhecida pelas minhas palavras. Eu sempre quis ser para alguém o que as autoras que eu leio são para mim: um consolo nas madrugadas de insônia. Eu quis fazer alguém rir sem querer dentro do ônibus em um calor escaldante de fim de dia. Eu quis fazer meus leitores chorarem, para depois se sentirem com um peso a menos ao saber que, mesmo histórias tristes, podem aquecer o coração. Agora na vida adulta, sei o quão distante essas vontades são. Sei que em um cenário realista, ninguém nunca vai se importar com o que eu escrevo.

Porém, nesse ano, no qual senti o pânico e a ansiedade tão próximos, cada uma dessas palavras fizeram diferença para mim. E caramba! Foram minhas companheiras em várias madrugadas insones (incluindo essa). Por isso sou grata. Por isso agradeço a você, leitor que talvez tenha dividido esses doze meses comigo sem que eu tomasse conhecimento.

Resumindo: eu estou bem. As coisas não são fáceis, mas tenho uma vida privilegiada. E mesmo que os dias ruins sejam comuns, a paz de saber que eu tenho esse refúgio é um conforto. Com contos, crônicas ou textos estilos blogosfera 2009, eu ainda estou aqui. E, por enquanto, estar já basta.