Se por acaso eu resolver dizer a verdade

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Eu não posso fazer juras de amor, e não posso me passar por algo que não sou, nem mesmo por amor. Eu me sinto estúpido, mas isso é outra das coisas que não sou. Também não sou otimista, ou sensato, sociável, cativante. Eu sou na maior parte do tempo desanimado e confuso. Surpreendente a honestidade que vem depois da solidão.

Depois soa como uma gentileza. Não há depois na minha solidão. E aqui está o pessimismo, a luta depressiva e opressiva por querer. Querer um futuro, uma vida além disso. Falta em mim o desejo por algo concreto, ou abstrato, ou algo simplesmente. 

Às vezes me pergunto se existe sangue em minhas veias. Em alguns momentos me sinto fora da minha face. Às vezes eu tento chorar para sentir alguma especie de sentimento, mas as lágrimas não chegam. Eu sou pobre de reações.

Nem sempre foi assim, me lembro de ser um jovem com vida. Invisível, vivendo quietamente, mas eu tinha lágrimas, eu tinha sorrisos. É bem possível que isso seja apenas um sonho no fim das contas. Talvez, é o que eu sempre digo, talvez.

E quem sabe amanhã tudo mude. Talvez alguém viole meu sono eterno e com um beijo me desperte. Mas eu não quero ser salvo, eu não preciso ser. Eu só preciso de perspectiva, esperança. 

E também, no fim, o meu único desejo é dormir até além da eternidade. É isso que eu penso quando não consigo dormir, como agora. Mas acho que em mim ainda existe uma célula, um órgão, um pedaço de mim que queira sair e ver o sol por um momento. Eu não sou suicida, ou depressivo ou vazio de fé. E eu só consigo listar as coisas que eu não sou. São tantas, não sei se consigo lidar com a decepção que tenho em relação a quem um dia sonhei em ser. 

Não sei o que dizer. A simples, honesta e imutável verdade é que eu olho no espelho e não me reconheço. Esses olhos e esse rosto são estranhos. Eu sou um estranho para mim mesmo.

Continue a nadar!

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