O mundo

18:30


O mundo é grande criança. Você só vai perceber isso quando sair de casa. Quando estiver em uma cidade repleta de pessoas solitárias. Dentro do seu apartamento você irá olhar pela janela, esperando a chuva, e a rua estará cheia de pessoas. Essas pessoas poderiam se consolar, mas isso não acontece. Ninguém é consolado em apartamentos como o seu. 

Pequenas coisas se tornarão pesadas. Você se lembrará dos poemas de pessoas que, como você, também enfrentaram cidades sufocantes. Nesse momento tente esquecer que estão todos mortos. Tente esquecer que a poesia é a única lembrança que sobrou deles. 

Sinceramente, a massante rotina tornará fácil esquecer. Você já nem se lembrará como chegou ali. E não vai lembrar da sua infância, de como era ser criança. Talvez esse seja um ponto positivo. Infelizmente nem todos possuem uma infância que vale recordar. Às vezes, crianças presenciam coisas terríveis por culpa da dor dos adultos. Mas nessa cidade sufocante você já não se lembrará. 

Mas, criança, tente encontrar um propósito. Fique à deriva, mas não se perca. Não se afogue. Tente não quebrar, caso a vida te transforme em vidro. Tente criança. Tente ser algo além de uma alma solitária. 

Continue a nadar!

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