“Nunca deixe que as palavras de ódio falem mais alto que as palavras de vida”

12:33

Eu sempre fui uma escritora. Não no sentido profissional da palavra, mas no sentido de escrever sobre as coisas. Pensamentos, sentimentos, rotinas, listas. Eu respiro e eu escrevo. Isso é quem eu sou. Escrevi essa frase título ano passado, em um contexto no qual um de meus personagens abre seu coração e finalmente fala mais sobre si mesmo. Às vezes, acontece isso. Revisando as coisas antigas reencontro um pensamento do passado que faz mais sentido agora. E não permitir que as palavras de ódio sejam propagadas nunca foi tão importante.

Acho que ficaríamos entendiados em um mundo mais simples. Nós precisamos de peculiaridades que nos destaquem e nos tornem especiais. No fim, todos querem ter aquela qualidade que nos distingue nesse vasto universo de galáxias infinitas. E da mesma forma que o universo se expande, nós necessitamos, nossos corações precisam, de progresso.

Às vezes as coisas retrocedem. Em alguns momentos tropeçamos e nos vemos caminhando para trás. A humanidade em alguns momentos parece regredir, como quando as pessoas vão às ruas clamar por morte aos seus próximos. Às vezes, a gente perde a linha, dirigimos na contramão de uma rodovia cheia de curvas, ultrapassando vinte vezes o limite da velocidade. Não é aceitável, e pode acabar nos levando a uma tragédia terrível, mas olhando para a história podemos ver a facilidade com que isso acontece.

E, sim, é triste. É desolador olhar ao redor e ver o que está acontecendo com o mundo. Mas, o que podemos fazer efetivamente? Quais são as mudanças que estão ao nosso alcance? Humanos são animais com personalidade, caráter, diferentes em suas semelhanças. Existem bagagens que carregamos relacionadas ao lugar no qual nascemos, a cor de nossa pele, as oportunidades que recebemos. Essas bagagens são parte da maneira na qual vemos o mundo. E talvez se só recebermos dor, isso acabe por eliminar a nossa capacidade de enxergar amor.

Então não é racional negar que o mundo anda mal. Seria mentira dizer que o ódio morreu. A miséria e a fome estão vivíssimas no nosso país. Precisamos nos lembrar disso diariamente. Precisamos lutar contra isso diariamente. E talvez a forma mais justa seja silenciando o ódio. Talvez devêssemos gritar com todos os pulmões sobre o amor. Porque quem ama cuida, alimenta, acaricia, faz ninar. Quem ama investe, leva à escola, ao médico. Quem ama luta e faz lutar.

Quem ama não vira as costas para os problemas, mas entende que é preciso esforço e paciência para saná-los. Quem ama sabe que debaixo dessa capa passageira que reverte nossos corpos existe a mesma carne, o mesmo sangue, os mesmos ossos.

O amor não enxerga classes sociais. O amor não descrimina sotaques. O amor não pode ser separado por muros ou combatido com mísseis intercontinentais. Quanto à dor e ao mal deste mundo, provocada por humanos tão incorretos e tão impuros, ao gritar nas ruas ódio a sua própria espécie, é nosso papel como seres conscientes não abrir mão. Não podemos desistir do sonho de viver decentemente, independente de qualquer bagagem individual. Nossos semelhantes criam o problema, por isso precisamos de coragem para enfrenta-lo.

E a cada momento em que o ódio for verbalizado, precisamos gritar mais alto. Porque o amor vence. O amor é nossa arma de combate e nosso remédio para a cura. O amor é a nossa única chance de continuar a criar e a dividir palavras de vida.

Continue a nadar!

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