textos

Querido ex-amor,

19:59

Você não tem o direito de soar sensato agora que meu coração dispara por outro alguém. Durante anos e anos eu esperei, desejei, pedi aos céus, mas você se recusou a ceder a qualquer uma das minhas súplicas. Não é justo comigo você decidir vir na minha direção quando eu finalmente consegui escolher um novo caminho.

Agora eu fico feliz, genuinamente feliz, por fazer esse novo cara sorrir. Fico tremendo como uma adolescente estúpida depois de encontrá-lo. Passo horas me perguntando se ele sente o mesmo. Eu estou apaixonada, e não é por você! Isso é tão libertador que às vezes acho difícil acreditar que irá dar certo.

Mas, a gente nunca deu certo. Então se esse novo cara no fim não der a mínima para meus sentimentos, o tempo que passei te amando sozinha terá ao menos sido um bom treinamento para a decepção.

Sabe, eu não preciso disso. Eu tenho uma família ótima, amigos maravilhosos, estou fazendo com a minha vida exatamente o que sempre planejei. Eu não preciso de garotos me confundido, eu não pedi para meu coração disparar.

E as pessoas tratam a "solteirice" como se fosse uma maldição. Deus nos livre de uma mulher escolher não se casar! Mas, sabe, não é uma coisa ruim. Não é o fim do mundo. Na verdade parece um caminho extremamente atraente.

É claro que agora, apaixonada, eu só quero saber de estar ao lado dele. Talvez eu devesse esquecê-lo. Foi quando eu te esqueci que você resolveu ressurgir. Parece um plano. O único problema é que não consigo parar de pensar nele.

Enfim, em você eu não penso mais. No fim a gente pode superar tudo na vida. Até o amor.

Olá e até logo

Como alguém que esqueceu

22:20

Eu penso em você como uma canção esquecida. Como aquela letra que permanece no fundo da mente, mas que no fim não consigo trazer aos lábios para cantar.

Eu penso em você nestas madrugadas de dezembro, deitada em uma cama emprestada, questionando se a desmemória no fim é o necessário para seguir a perdoar.

Mais um ano vai acabar, outra carta não enviada irá acumular. Feliz Natal, boas festas, eu penso em cada presente que queria te dar.

Passe bem, lembre-se sempre do cinto de segurança, abraços na família. Seja feliz. Todos meus pensamentos são para que você viva feliz.

Lembre-se de pensar em mim.

contos

Conjectura

23:37

Querido leitor, é tão bom narrar em terceira pessoa. Isso significa que eu daqui só observo as angústias e sofrimentos do casal da vez. Contar estórias é minha alegria. Sentir por meio delas é meu jeito seguro de me apaixonar sem permitir que meu coração se quebre no processo.

Hoje eu só queria contar sobre o garoto alto que vive na rua dos pomares. Contar sobre a garota do último andar. Eles começaram uma dança interminável há tempos e é interessante observar o desenrolar.

Como aquela música que ouvi a tanto tempo, ele é como um satélite que se orienta em volta dela. Ela sorri e ele não consegue conter aquela alegria que transborda em uma resposta incontida. Ele a procura com o olhar a cada passo. Quando encontra, em alguns momentos muda o ritmo. Ela sempre vacila ao notar, mas se mantém de pé, presa por aquele olhar.

O ponto é que eles estão sempre em sintonia. Bailam com maestria noite e dia. O triste, meu amado leitor, é que eles não são de fato satélites no espaço. Uma rota de colisão entre esses dois seria bem vinda. Mas, eles são do tipo que se inspiram demais nos astros. Conjecturam sem parar que, mesmo dançando em perfeita sincronia, é melhor manter a distância já estabelecida.

Eles não sabem que para humanos às vezes é bom se encontrar.

crônicas

Agora é aceitar e me silenciar

04:17



A minha prosa é tanto sobre uma pessoa só que chega a ser redundante. Quantas vezes é necessário dizer e acenar? Esperar e ter esperança? O amor ser paciente e sofredor é diferente de ser estúpido e ignorante. Acho que a gente precisa amar mais de uma forma racional.

E depois, escolher ser irracional. O ponto é que nós não merecemos amor. O ponto é que todos os dias tomamos atitudes condenáveis. De certa forma, eu só fui entender mesmo o que é amar quando alguém me deu todos os motivos para julgar, abandonar, condenar, mas eu não consegui fazer isso. Entendi que eu sentia de uma maneira superficial quando precisei buscar bem dentro de mim um por que de persistir.

Bem lá dentro eu sei que existe uma entrega que não espera nada em troca. Deve ser por isso que eu ainda continuo fiel em tantos níveis, porque amar é entregar sem esperar pelo retorno. Esse amor que eu descobri na profundeza do meu coração é um pedacinho da eternidade que vive na gente. Se alguém olhar nos meus olhos e enxergar lá dentro da minha alma, tenho certeza que irá perceber o infinto vindo de dentro. A criatura que testemunha sobre o criador que fez tudo em graça e sabedoria.

De forma racional, sem esperar em troca, mas aguardando fielmente. Aceitando que por mais que eu me dobre, me molde, me transforme, nada disso realmente importa. Eu entrego amor a quem não merece, por isso eu espero pelo amor que também não mereço.

E olhando todas as impossibilidades, as curvas no caminho, as rejeições, é fácil permanecer em paz ao olhar todas as páginas que vieram disso. As minhas cartas retóricas se tornaram livros. Agora, mesmo que o remetente não dê importância, existem tantos outros que se apropriam das minhas palavras que eu, que não tive importância, sinto que cada linha é boa, perfeita e agradável.

crônicas

Estamos em reforma

12:15


Como qualquer pessoa normal, minhas memórias da primeira infância são nebulosas. Em alguns momentos não sei dizer se são reproduções da realidade ou se de fato aconteceram quando eu ainda estava aprendendo a ser. Mas, muitas delas tem um cenário em comum: a Igreja.

Meus pais se conheceram dois anos antes de eu nascer. Tudo começou em um baile de bairro no qual meu pai abordou minha mãe em busca de um pouco de maconha. Ela explicou que não comercializava, mas que podia compartilhar um pouco do que tinha com ele. Foi assim que a história da minha família começou, a loucura dos anos oitenta ainda ecoava no início dos noventa.

Dois anos depois eles planejaram ter uma criança. E, foi quando estava grávida, que minha mãe encontrou o caminho para a Igreja. Eu nasci naquela Metodista que fica na avenida que minha avó mora. Lá eu aprendi sobre respeito, caridade e amor.

Agora, vinte e três anos depois, eu migrei para uma Batista e posso dizer que realmente sei em quem tenho crido. Acho que o ponto de verdadeira entrega a fé foi aos meus quinze anos, quando finalmente li a Bíblia inteira pela primeira vez.

Este ano já fiz minha leitura anual. Mais uma vez, Rute foi meu livro favorito, mas sempre tem Daniel e Paulo para fazer meu coração se encher de esperança, fé e amor. E por isso eu ainda espero que os altares deixem de ser palco para espetáculos heréticos e se voltem a fé, a escritura, ao Cristo, a graça e prestarão glória somente a Deus.

Eu sei que Lutero não foi um exemplo incorruptível ou inculpável. Eu sei que muito do que engatilhou a reforma quinhentos anos atrás hoje assola as denominações que deviam seguir um caminho diferente. Mas, a Ana de quinze anos teve acesso a Palavra. A Ana de vinte três tem liberdade de não pecar por falta de conhecimento. Dessa forma, não desanimo e permaneço na esperança superior que traz a paz que excede todo o entendimento. 

crônicas

Aceite ajuda

22:09


Este foi um ano em que desenhei bastante. Nem sei muito o porque desse novo empenho, mas a realidade é que até eu, minha maior crítica, consegue ver a evolução nas ilustrações de um ano atrás para as de agora.

Mas nós, essa geraçãozinha autodidata, sempre quer pular etapas no aprendizado. E eu não sou diferente, leitor. Queria já nascer a mestre da pintura digital. O ponto é que eu não nasci sabendo fazer nada além de chorar.

Eu não tenho pretensões artísticas com ilustração. Desenhar só é uma atividade que realmente me acalma nos dias mais ruins. É aquele exercício que eu sempre vi meu pai praticando a vida inteira. E nossa, ele é muito bom! Sempre foi meu maior exemplo.

Claro que ele também não teve uma educação artística formal. E é um consolo saber que o esforço recompensa sim a classe média baixa (quando existem oportunidades, meritocracia é lindo na utopia dos privilegiados). Mas, meu pai entende dos benditos fundamentos. Eu sinceramente tenho muita dificuldades para lembrar que debaixo da pele há uma estrutura óssea que dita todas as formas.

Tenho compartilhado por um tempo minhas dificuldades com o meu melhor amigo, senhor JJ. Ele é sem dúvidas um dos melhores quando o assunto é manipulação de imagens e iluminação digital. O ponto é que com a ajuda dele consegui fazer em algumas horas algo que eu estava tentando sozinha por meses, sem sucesso.

É clara a diferença entre as duas versões dessa moça de cabelo verde que eu batizei de Luz. Na minha versão solo, são nítidos vários erros de principiante, especialmente o nariz. Na versão pós aula do JJ, ainda há muitos pontos a serem trabalhados, mas ela parece mais coerente com a imagem que eu fiz mentalmente na hora do rascunho.

Eu tento ser uma mulher forte e independente. Já faz alguns anos que eu preciso resolver meus problemas sozinha e isso pode ser bem cansativo. Hoje eu só queria dizer, querido leitor, que tudo bem aceitar ajuda. Especialmente se ela vem de alguém amado que só quer o seu bem. Você pode acabar resolvendo aquele problema que te incomoda há meses em algumas horas, apenas admitindo suas limitações e dando espaço para que alguém segure sua mão e te ensine o caminho.

Eu sei que é um privilégio se entregar a vulnerabilidade, então se você tem essa oportunidade, se permita uma vez ou outra. Pode ser extremamente recompensador.

english

Almost summer

12:00

I gonna be just fine

It's october 
and here
the day is gonna rise
in a new summer.

Hot and wet
like it supposed to be
in a tropical country.

And I'm will be
just fine
because the summer
don't need your smile
for to come as the rain.

Even if you don't see me
the summer will
look at me
with the big joy
of the sun.