crônicas

Ignore esse frio

12:41

O que é esse frio na barriga? Esse ciclo de constrangimentos autoimpostos? Eu não quero errar nesse assunto. Eu não quero errar.
Eu tenho esse dom de me esquivar. De sumir sem ser notada. Me camuflo perfeitamente entre cadeiras e pessoas indiferentes.
Às vezes eu penso que não poderei me esconder pelo resto da vida, mas ai vem o frio na barriga e só o que eu posso fazer é correr para o próximo canto escuro.
Eu só queria que tivesse alguém para se esconder comigo. Ando meio solitária.
Mas, mesmo aqui do meu esconderijo, estou em paz. Pelo menos agora a minha companheira não é mais a angústia continua. Ser solitária é melhor do que querer se jogar de escadas.
Enfim, dizem que essa é a vida adulta. Sigo me esquivando.

crônicas

Dez anos

23:12

Daqui um mês faço vinte três. De todas as previsões para o fim do mundo, a mais confiável nos dá mais dez anos. Quando recebi essa informação, achei tão pouco tempo. Mas, daqui a um mês vou fazer vinte e três, há dez anos eu tinha treze e isso parece parte de outra vida.

Dez anos não é pouca coisa. Com treze eu ainda não tinha menstruado, me apaixonado, lido Crepúsculo, pintado o cabelo. Nesses dez anos eu passei por cólicas, paixões literárias, cabelo azul e frustrações sentimentais. E eu deixei de ser uma menina, eu nem lembro mais como era ser aquela Ana Paula de lá.

Nesses próximos dez anos, o mundo acabando ou não, eu quero crescer mais. Quero voltar ao meu cabelo longo e natural (por mais impossível que isso pareça). Quero que meus livros vendam tanto quanto Crepúsculo. Quero me apaixonar sem medo, sem as inseguranças da imaturidade.

Faz tanto tempo que não escrevo por aqui que nem sei se consegui ser coerente. Mas, eu queria passar e dizer que o mundo ainda não acabou. A gente ainda tem tempo.

poemas

A poem?

14:31

Don't trust in the stars because they can't shine at the day.
Trust in you heart because him keep beating anyway.

Olá e até logo

Agora

15:47

A previsão indica uma probabilidade de muitas lágrimas sendo engolidas. 
De muitos nós congestionados na garganta.
De muitos abraços preventivos.
De músicas antigas embalando novas madrugadas.
De memórias escorrendo pelo ralo.
De novos pavores infundados.
De declarações quase esquecidas.
De rancores superados.

O céu indica, com suas nuvens que caem como se fossem lágrimas, que é hora de dizer até logo.

É hora de ir embora.



textos

Eu estou feliz porque eu estava bonita

11:00

Amor, foi um pouco doloroso não ver o seu sorriso se abrir quando nossos olhares se cruzaram. Eu já tinha tudo planejado, mas você não seguiu o roteiro. Existe uma expressão em coreano equivalente a garoto maldoso. Ela é tão sonora que eu quero que você pesquise e me imagine te dizendo isso.

Faz meses que eu não te escrevo. Por aqui, devem fazer anos. Mas, naquela última carta eu disse que precisava escrever para outra pessoa. Continuo fazendo isso e é tão bom ter respostas. Foi uma espécie de cura que eu de fato acreditei que tinha te esquecido.

Eu disse: "vamos nessa, deixa ele de lado, sozinha é bom demais para pensar no cara errado" (se eu agora cito música sertaneja? aparentemente). Mas, é claro que você tinha que aparecer no momento mais improvável, naquela hora em que eu não te esperava de forma nenhuma. É muito difícil desistir de você. (Eu realmente gostaria de conseguir escrever em coreano porque tem uma expressão que indica intensidade que caberia muito bem aqui.)

E, caramba amor, eu realmente estou bem. De verdade. Eu percebi que estar solteira é muito bom. As minhas decisões são só minhas. Eu posso fazer qualquer coisa. Qualquer coisa. E eu tenho grandes planos de viver uma vida com propósito nos quais uma família seria meio que uma coisa complicada.

Veja bem, se eu quisesse, poderia mudar para o outro lado do país amanhã. Mas, se a gente estivesse juntos, não seria bem assim. Um casal tende a se estabelecer, se acomodar e eu não quero isso. Acho que nunca vou querer.

Mas, eu ainda quero você comigo. Como não? Você fez meu coração disparar como se eu ainda fosse uma adolescente. Minhas mãos tremeram! E isso só de te ver. Eu sou uma boba. Uma boba apaixonada.

Não é fácil te amar de longe. Mas, tenho certeza que também não é fácil te amar de perto.

Acho que eu só queria dizer que eu estou vivendo muito bem a minha vida. Ainda apaixonada, porque é muito difícil não amar você, porém já me acostumei com a sua ausência. Agora, o estranho seria te ter por perto.

Enfim. Sorria se a gente se encontrar outra vez.
Talvez na próxima carta eu já consiga me expressar em coreano.
Note: eu já estou pensando em outra carta.
Vamos acabar com isso.
Estou exausta de correspondências.
Venha falar comigo.

Com carinho.

crônicas

Já que está na moda

11:00

Eu não sei muito sobre Niilismo. Ouvi dizer que anda na moda, mas com meu conhecimento superficial, posso dizer que entendo de certa forma. Eu já senti isso. Uma espécie de onda avassaladora na qual nada faz sentido. Uma percepção de que nada existe, de que esse corpo não é material o bastante para me provar que a vida é.

Mas, ela é. Eu sou grata pela onda, porque ela vem e logo vai embora. Ela provoca mudanças, e talvez em alguns ela estabelecesse a descrença. Mas, depois de sobreviver ao nada, eu acreditei com mais veemência no algo maior, no Deus, na vida, no amor, na fé.

Isso não me torna alienada, ou massa de manobra, vaca de presépio. Pelo contrário, minha fé é baseada em uma ampla reflexão, na qual a minha razão faz perguntas constantes. O ponto nem é encontrar as respostas. O que importa para mim é sentir que tenho um diálogo com o criador. E é reconfortante saber que eu tenho liberdade para acreditar.

Também é reconfortante saber que as outras pessoas têm liberdade para desacreditar. Por mais que as coisas sejam mais complicadas que isso, é bom viver em um tempo, em um país, no qual podemos escolher.

Às vezes, eu tenho um pouco de medo. Queria que fosse mais simples, que eu me encaixasse em um padrão esteriotipado e pré-estabelecido. Mas, é assim para mim. Já faz um tempo que decidi não esconder o que penso, quando questionada.

Claro, o silêncio ainda é uma boa maneira de evitar discussões existenciais. Mas, em alguns momentos, existem coisas que precisam ser ditas. E hoje eu queria deixar claro que também é bom, sábio, saudável e inteligente acreditar.

blogstyle

5 anos de blog

03:00


Mês passado o blog fez cinco anos. É interessante sentir as mudanças graduais do dia a dia. Anos atrás, eu fiz planos para este espaço e deixei de lado. Depois, falei sobre livros como se entendesse do assunto. Com o tempo, outras coisas também se tornaram pauta, como meus desenhos, minhas fotos. Hoje, venho aqui duas vezes ao mês para contar uma história. Este blog é sobre meus sonhos, minhas expectativas, meus gostos e sobre meu coração.

Nunca tive público de verdade. Depois de ter pessoas lendo o que eu escrevo, sei que as postagens aqui são mais para ajudar minha memória. Eu ainda mantenho porque é engradecedor olhar para o passado (mesmo com os erros gramaticais medonhos).

Estou passando um pequeno período na casa dos meus pais e tenho tido tempo. Ainda é estranho esta não ser mais a minha casa, mas depois de administrar meu próprio espaço, entendo a diferença. Mas, nessa pequena pausa, tive tempo para olhar o caminho que trilhei.

A ilustração de hoje é um exemplo de como as coisas se transformam. Mesmo que meus desenhos ainda não possam ser chamados de satisfatórios, essas imagens contam muito sobre como o tempo pode ser bom. A imagem menor, foi a primeira coisa que consegui desenhar com a tablet. Por anos, meus desenhos digitais eram feitos com o mouse, mas naquela época ganhei esse presente.

Foi um pouco desesperador, porque no primeiro teste eu parecia ter duas mãos esquerdas (sendo destra). Como tudo na vida, o desenho digital precisa de treino, tempo para adaptação. E me lembro de ficar muito orgulhosa quando finalmente consegui o domínio para desenhar essa plaquinha com o coração. Minha memória não é precisa, mas acho que o objetivo era retratar essa casinha que minha família construiu com tanta dificuldade. Nosso pequeno lar com paredes amarelas, que cresceu com o tempo, assim como eu.

Semana passada retomei essa ideia. Redesenhar coisas antigas é um bom exercício e me sinto feliz ao notar a mudança. Hoje meu traço é mais solto, mais irrestrito. Ainda desenho bastante usando as linhas, mas refazendo a placa, consegui me livrar delas. Ainda tenho um longo caminho, mas sendo sincera, acredito que nunca usarei a palavra satisfatória com meus desenhos. Mas, eu achava a mesma coisa em relação aos meus textos e já escrevi dois livros! (Isso é sempre surreal.)

Acho que já escrevi demais. Como sempre faço isso com sono, às três da manhã. Mas eu precisava registrar que sinto orgulho do quanto caminhei. Por muitas vezes, foi uma jornada solitária. Mas, tive momentos compartilhados com pessoas amadas. Eu não sei quanto tempo ainda manterei este diário online, mas se ainda existir algum leitor por aí, eu queria dizer que estou percorrendo um caminho de amor. Em breve vou deixar essa casinha amada novamente, mas as placas não mentem. Fique atento para pegar a direção correta. Lembre-se que o melhor GPS é o seu coração.

crônicas

Adeus aos Patos

20:44

Aqui é muito silencioso. Eu só ouço meus protestos escandalosos contra a solidão, mas quando me aquieto não há ninguém ao redor. Já são seis anos em um lugar que não me pertence. Talvez no fim eu descubra que ninguém nunca realmente chega a pertencer, mas essa cidade não tem mais o que me oferecer.

Mas, ela me deu muito. De lágrimas à galhadas. De amigos eternos a desafetos indiferentes. De sins a nãos. Eu cresci tanto, não literalmente, mas sinto que agora meu coração é maior.

Saí de um quartinho sufocante para este apartamento que tem o meu cheiro, as minhas mãos, meus olhos em cada pedacinho. Fui eu que carreguei minha cama escada acima. Fui eu que coloquei o chuveiro no lugar. Eu assinei os papéis, fiz ligações furiosas, andei de um lado para outro até fazer dar certo. E deu.

Por mais que as angústias tenham sido diárias, a ansiedade, a perca de peso, de cabelo, de senso de realidade, eu consegui sobreviver a isso. Eu me tornei uma adulta completa e, mesmo não sendo um sonho colorido, sei que agora eu posso fazer o que eu bem entender com segurança. Acho que aqui eu aprendi a viver por conta própria. De certa forma, eu deixei de ser uma menina para me tornar uma mulher que, mesmo tremendo de medo, ainda vai em frente com a cara e a coragem.

Querida cidade, dona das minhas conquistas e dos meus fracassos, nunca vou te esquecer. Guarde bem aqueles que eu amo. Não sinta tanta falta, eu ainda volto de visita.

crônicas

Desempregada

22:56

Acho que confiro meu email mais de cinquenta vezes ao dia. É como se no fundo eu esperasse que chegasse uma daquelas mensagens "você ganhou um milhão", e que fosse verdade. Como se ao atualizar vezes o bastante finalmente aparecesse uma boa nova, uma carta de amor extraviada, uma proposta revolucionária.

Agora eu sou oficialmente uma desempregada em busca do sonho. É um ciclo paradoxal de angústia, porque eu tenho tanto medo daquilo que eu quero. Tanto medo de que o que eu desejo do fundo do coração se realize. Eu sou uma covarde, mas estou apostando todas as minhas fichas mesmo assim. Eu caminho com temor, mas caminho.

E agora a boa nova é que eu tenho um tempo para terminar o novo livro. Mas, é claro que tem que vir aquele bloqueio criativo. Meu lado autodestrutivo é tão eficiente que eu quase me orgulho. Mas, é escrevendo que eu resolvo o problema de não conseguir escrever. Então estou aqui. Mais uma vez deixando escapar pelas letras o aperto no coração para conseguir respirar novamente.

Naquela caixa de entrada eu tenho tantas provas de que devia desistir de escrever. Eu coleciono nãos. Eu deixo naquela pasta escondida as evidências de que não é o bastante, falta talento, falta paixão genuína. Quem leria algo escrito por alguém que é só metade? Os emails se juntam para responder "ninguém".

Mas, hoje, mesmo incapaz de escrever qualquer diálogo entre o casal da vez, eu não ligo para as negativas. Não me importo com a incerteza do mercado de trabalho. Eu sinceramente só quero escrever. Independente de ser o bastante ou não.

E tem sempre o consolo de saber que aquele meu sonho que me faz tremer as pernas é maior do que as palavras.

inverno

Far away

23:44

Sou tão eficiente em medir as distâncias.
Quinhentos quilômetros.
Hoje vou ficar em casa.
Ao atravessar a rua, a dor ainda não é bonita.
O fuso horário faz com que alguns vivam doze horas no passado.
Mais de mil páginas escritas para alcançar o silêncio.
Dois anos atrás eu ainda amava aquele garoto.
Faz mais de duas décadas que eu espero um milagre.

Vou me sentir triste só até que essa música se acabe.
Ele canta que foi destinado,
que essa é a última vez que eles irão se ver,
eu volto o player no início
porque não quero que eles tenham que dizer adeus.

O mundo... parece longe daqui.

com amigos

Encontre o amor da sua vida (ou algo melhor)

22:57

Texto escrito com F. V. Reis. Nossas conversas são geralmente assim, por isso talvez este texto seja uma grande piada interna. O importante é que nós dois ainda estamos rindo, mesmo não tendo mais vinte e um.

— Sabe o que nós parecemos?
— O quê?
— Duas vadias bêbadas.
Dois nerds conversavam na sacada do apartamento que dividiam.
— Como assim?
— Parece que estamos bêbados, falando sobre ex-namorados enquanto tomamos sorvete na sacada do prédio.
— Exceto pelo fato de que não temos sorvete. E não estamos bêbados.
— E não temos ex-namorados.
Os dois se alternavam escrevendo em um caderno como quem divide uma bebida.
O que dos jovens de vinte e um anos têm de relevante a dizer? Eles nutrem a ilusão de que as palavras escritas de forma apressada no caderno farão diferença na vida de alguém?
Aparentemente sim! Eles dão muita importante a um punhado de palavras.
— Os vizinhos devem nos achar patéticos. Olha bem! Ou estão chegando de um encontro ou estão saindo para mais uma conquista amorosa.
— Estão todos bêbados. Acho que, assim como nós, não estão fazendo grande coisa com a vida que têm. E não corta meu barato. Nunca fui a vadia na vida. Deixe-me ser a vadia pelo menos uma vez. — os dois riem. — Além disso, nem devem saber quem somos.
— É... acho que ninguém sabe. — os dois riem novamente.
— Isso é triste.
— Fazer o quê?! "A vida é uma meretriz que nos fode a todos".
— Ah, não. A vida tem seu lado doce.
— Ok, agridoce.
— Pensa bem: o Sr. Padaria! É sério. Um dia vão erguer estátuas dele pela cidade, e vai ser que nem na Coreia do Norte: as pessoas vão ter de venerá-las. — e, novamente, os nerds caem na gargalhada.
— Ter um crush suga minha juventude, estou dizendo. Estamos ficando velhos demais para isso.
— Mas, não está ficando mais fácil. Até meu cachorro tem uma namorada, e eu na solidão.
— Mas, esse é o ponto, certo?! A gente está tocando a nossa vida. Estamos alimentados, fizemos faxina. Os outros podem até pensar que estamos empurrando a vida com a barriga, mas nós estamos bem!
— Realmente, não faz muito sentindo ficar com qualquer um por causa da carência. Se eu já esperei vinte e um anos, posso esperar um pouco mais para encontrar o amor da minha vida.
— Ou algo melhor. — os dois nerds caem na gargalhada enquanto mais uma música questionável começa a tocar em algum lugar da vizinhança.

Ele

Mesmo que meus textos deponham contra mim

13:27

Eu sempre tenho textos guardados, não verbalizados, escondidos pela capa da insegurança.
E se eu não for boa, santa, curada, feliz, competente, responsável, bela o bastante?
E se alguém notar que eu não sou o bastante?
E se um dia meus textos deporem contra mim no tribunal humano no qual minha consciência é a advogada de defesa? Ela não me condena pelo que o outro vê. Ela tem suas próprias métricas.

Mas, se eu deixo de escrever por medo, tudo perde o sentido essencial. Porque se eu quero viver pela verdade, como posso mentir? Eu realmente não sou o bastante, mas a cada dia me coloco no meu lugar e tento ser melhor. Não melhor exteriormente, mas naquelas partes nas quais a minha advogada interior mais repara. Não mentir, não roubar, não jogar lixo no chão, não gritar. Abrir mão da minha vida confortável, conveniente, previsível para de fato fazer algum sentido. Quando olho bem de perto, não é de fato abrir mão. A vida que eu levo parece a fuga do meu propósito.

Quando me perguntarem o que eu realmente quero, para onde quero, eu não sei de fato. Mas, a cada dia a certeza de que meu papel não é aqui fica mais evidente. Minhas mãos trabalham, mas eu não colho frutos. Não posso continuar de mãos vazias.

Sim, eu sou muito dura comigo mesma. Sim, eu sei que tenho testemunhas de defesa que podem ficar ao meu lado. Mas, não é o bastante. Me resumir a apenas isso é matar as palavras, as promessas, os sonhos, as descobertas. E eu não posso virar as costas para quem me trouxe até aqui. Ele é o único que de fato faz alguma diferença no julgamento.

A sentença? Culpada, mas no banco de réu existe outro sentado no meu lugar. Só preciso achar um meio de parar de decepcioná-lo a cada momento que escolho uma vida prisioneira de mim mesma, negando que a liberdade é me entregar. 

Eu me entrego. Estou com medo e me entrego.

Ele

Ele

12:17

É triste pensar
Que fui eu que parti ele ao meio.

Eu o fiz engolir palavras
Que ele rejeitou.

Era uma viajem perfeita
Belamente planejada
Mas eu não me importei com as curvas declinadas
E caímos em cheio no precipício.

Ele podia ter escapado
Mas preferiu ficar comigo.

Para ele, pior do que me ver perder o controle
Era deixar a solidão ser a minha única companhia.
Meu escudo contra a morte.

Por isso, mesmo com uma hemorragia infindável,
Ele se colocou na minha frente
Como uma armadura viva,
Que impediu que eu também sangrasse.